Crítica · Bastidores

Padre impede Lavagem da Madeleine, festa afro-brasileira em Paris

ResumoA 25ª Lavagem da Madeleine, festa afro-brasileira tradicional em Paris, ocorre em 2025 sem autorização da Igreja Católica, após um padre impedir a celebração dentro do templo. O evento foi transferido para a área pública em frente à igreja, com expectativa de 60 mil participantes e show da cantora Mariene de Castro como atração principal.

Sem autorização da Igreja, a 25ª Lavagem da Madeleine transfere a celebração para área pública em frente ao templo. Organizadores esperam 60 mil pessoas e mantêm a festa com Mariene de Castro como atração principal.

Bárbara Ishikawa
Bárbara Ishikawa Entrevistadora e Repórter de Bastidores de Cinema · 14 de setembro de 2026
Padre impede Lavagem da Madeleine, festa afro-brasileira em Paris
8.7/10
VereditoSem autorização da Igreja, a 25ª Lavagem da Madeleine transfere a celebração para área pública em frente ao templo. Organizadores esperam 60 mil pessoas e mantêm a festa com Mariene de Castro como atração principal.

A decisão de um pároco mudou o desenho de uma das maiores celebrações brasileiras na Europa. Marcada para domingo (13), a 25ª edição da Lavagem da Madeleine não obteve autorização da Igreja para lavar as escadarias do templo em Paris. O evento foi transferido para uma área pública em frente à igreja, onde a organização espera 60 mil pessoas.

O pároco de La Madeleine, Monsenhor Patrick Chauvet, informou que não permitiria a lavagem da escadaria em 2026, como ocorreu nos últimos anos. Em nota, a 25ª edição da Lavagem lamenta a decisão e afirma que permanece aberta ao diálogo. Procurada, a Arquidiocese de Paris não explicou a negativa.

A mudança de local não altera a estrutura da festa. Além dos rituais religiosos, a celebração terá apresentações de artistas e a cantora Mariene de Castro como principal atração. O mestre de cerimônias é o multiartista Robertinho Chaves, um dos organizadores, que comandará o evento ao lado de Mariene do alto de um trio elétrico. Também são esperados o cantor Jau, a artista franco-brasileira Gildaa e Lorena Pires, residente da Academia de Ópera Nacional de Paris, que interpretará a oração Ave Maria.

A concentração será na Place de la République, de onde um cortejo sairá ao som de samba, maracatu, capoeira e de uma ala de baianas. A expectativa é de uma centena de artistas nas ruas de Paris após o ato religioso em frente à igreja.

A lavagem é uma celebração ecumênica que reúne referências do catolicismo e das religiões de matriz africana. Na edição de 2025, homenageou a cantora Preta Gil. Em anos anteriores, contou com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Carlinhos Brown e Olodum.

Inspirada na tradicional Lavagem da Igreja do Bonfim, em Salvador, a versão parisiense é realizada há mais de duas décadas e, desde 2022, é reconhecida pelo Ministério da Cultura francês como patrimônio imaterial, parte do calendário cultural de Paris. O evento integra ainda a Rota dos Escravizados da Unesco, roteiro cultural internacional que conecta locais relacionados à história da escravidão.

Em nota, a organização convoca apoio: "Convocamos artistas, instituições culturais, líderes religiosos, movimentos sociais, brasileiros, franceses, imigrantes e todas as pessoas comprometidas com a liberdade religiosa, a diversidade e direitos a apoiarem a 25ª edição da Lavagem e a se unirem a esta demonstração de resistência cultural".

Segundo Robertinho Chaves, a festa divulga a cultura brasileira na Europa e tem compromisso com a tolerância. A reportagem procurou os órgãos oficiais franceses no Brasil para comentar a negativa da igreja, mas não obteve retorno por causa do fuso horário. No site da Arquidiocese de Paris, há um chamado para os católicos demonstrarem "amizade" à comunidade judaica, que celebra nesta semana o Ano Novo (Rosh Hashaná) e o Dia do Perdão (Yom Kippur). O espaço permanece aberto para manifestação da igreja e do pároco Patrick Chauvet.

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