Crítica · Bastidores

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta sexta

ResumoO Festival de Brasília do Cinema Brasileiro inicia sua 59ª edição nesta sexta-feira, 11 de outubro, às 19h30, no Cine Brasília. A abertura exibe o filme A Pele Morta. O evento, o mais longevo festival de cinema do país, foi cancelado e reconfirmado pelo governo do Distrito Federal no mesmo dia.

Após ser cancelado e reconfirmado em poucas horas pelo governo do Distrito Federal, o mais longevo festival de cinema do país abre sua 59ª edição nesta sexta-feira (11), às 19h30, no Cine Brasília, com A Pele Morta.

Bárbara Ishikawa
Bárbara Ishikawa Entrevistadora e Repórter de Bastidores de Cinema · 11 de setembro de 2026
Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta sexta
7.7/10
VereditoApós ser cancelado e reconfirmado em poucas horas pelo governo do Distrito Federal, o mais longevo festival de cinema do país abre sua 59ª edição nesta sexta-feira (11), às 19h30, no Cine Brasília, com A Pele Morta.

O mais longevo festival de cinema do país se viu protagonista do próprio drama, com pitadas de suspense e ação, mas com final feliz. A 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta sexta-feira (11) após ser cancelado e, em poucas horas, novamente confirmado pelo governo do Distrito Federal.

A abertura acontece às 19h30, no Cine Brasília, com o filme A Pele Morta, de Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres. Foram quase 2 mil filmes inscritos, recorde dentro do festival, e mais de 70 selecionados entre mostras competitivas de longas e curtas, mostras paralelas e sessões especiais.

Uma decisão de bastidor que virou enredo

O roteiro desta edição começou longe da tela. Após receber 1.928 inscrições, selecionar a maior parte dos filmes e encaminhar toda a programação, a organização recebeu a notícia do cancelamento do evento. O argumento do governo do Distrito Federal era de falta de verba. A notícia se espalhou rapidamente na cidade e mobilizou a classe artística. Horas depois, a governadora Celina Leão publicou em suas redes sociais a determinação para que a Secretaria de Economia providenciasse os recursos necessários para o festival.

A Pele Morta e o lastro de Brasília

O filme de abertura carrega a própria história do festival em sua ficha técnica. A Pele Morta foi concebido pelo diretor Geraldo Moraes, radicado em Brasília e morto em 2017, e resgatado e dirigido pelos seus filhos. O gesto resume o que a diretora-geral do festival, Sara Rocha, aponta como um dos grandes destaques da programação: a presença importante de filmes de Brasília, com vínculos fortes com o Distrito Federal.

"As expectativas são as melhores possíveis. Um dos grandes destaques desta programação é a presença importante de filmes de Brasília, com vínculos fortes com o Distrito Federal", disse Sara Rocha à Agência Brasil.

Outro destaque é levar episódios de uma série à tela do Cine Brasília. Três episódios de Delegado, série dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca, serão apresentados em primeira mão no sábado (12), às 18h. A produção é de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux.

Vozes e Lutas e a memória do festival

Entre as mostras, a sessão Vozes e Lutas reúne filmes notabilizados pela retratação de movimentos políticos e culturais relevantes. Um deles é Pontos de Partida, do cineasta Silvio Tendler, morto em setembro do ano passado.

O festival nasceu em 1965 e, ao longo das décadas, consolidou-se como espaço de debate sobre o audiovisual brasileiro. Só não foi realizado em dois anos durante a ditadura militar. Na pandemia, aconteceu de forma virtual. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal.

"Um patrimônio não é cancelável. O festival é um patrimônio tombado formalmente e afetivamente, não só por Brasília, mas por todo o Brasil", celebrou Sara Rocha.

Passada a tensão, a expectativa é de celebração. "A gente espera superar o número de espectadores e poder abraçar todas as pessoas que fazem parte do festival; o público, os realizadores e toda comunidade cultural, para que a gente possa celebrar o cinema brasileiro e fortalecer. A cada edição do festival que se realiza, amplia um pouco mais esse lastro", disse a diretora-geral.

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