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Flip: livro infantil Pelos Olhos de Orides apresenta poesia de Orides Fontela

ResumoPelos Olhos de Orides (Editora Hedra) adapta a poesia de Orides Fontela para o público infantil, com ilustrações de Cynthia Cruttenden. Lançado na Flip 2026, o livro propõe um olhar investigativo e ecológico, conectando novas gerações à obra da poeta. A obra foi celebrada em mesa com Augusto Massi.

Pelos Olhos de Orides (Editora Hedra) adapta a poesia de Orides Fontela para crianças, com ilustrações de Cynthia Cruttenden. Lançado na Flip 2026, o livro propõe um olhar investigativo e ecológico, celebrado em mesa com Augusto Massi. Saiba como a obra conecta novas gerações à p

Larissa Queiroga
Larissa Queiroga Repórter de Festivais e Circuito · 29 de julho de 2026
Flip: livro infantil Pelos Olhos de Orides apresenta poesia de Orides Fontela
7.1/10
VereditoPelos Olhos de Orides (Editora Hedra) adapta a poesia de Orides Fontela para crianças, com ilustrações de Cynthia Cruttenden. Lançado na Flip 2026, o livro propõe um olhar investigativo e ecológico, celebrado em mesa com Augusto Massi. Saiba como a obra conecta novas gerações à p

Flip 2026: livro infantil Pelos Olhos de Orides apresenta poesia de Orides Fontela ao público infantil

Pelos Olhos de Orides (Editora Hedra) adapta a poesia de Orides Fontela para crianças, unindo literatura, arte e natureza. Lançado na Flip 2026, o livro traz poemas que partem de elementos cotidianos para refletir sobre o mundo, com ilustrações que convidam à livre interpretação. A obra foi celebrada em mesa na Festa Literária Internacional de Paraty.

Quando a poesia de Orides encontra a infância

Com uma linguagem precisa, que transformou uma nuvem em "a flor do céu", a poeta Orides Fontela teve parte de sua obra adaptada para a infância. Lançado neste mês de julho, Pelos Olhos de Orides propõe uma aproximação das novas gerações à poesia da autora, que foi homenageada na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Orides parte de elementos simples e cotidianos, como um pássaro, uma nuvem, uma flor, uma vaca ou um caleidoscópio, para refletir sobre o mundo, o tempo e a espera. É essa matéria-prima que o livro oferece às crianças: possibilidades de contemplação e curiosidade, marcas dos poemas da autora.

O que dizem os poetas e educadores sobre a obra

O poeta e educador André Gravatá, autor de livros infantis como Converseiro da Natureza (Companhia das Letras) e Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo (Peirópolis), comentou em entrevista à Agência Brasil: "Fico imaginando uma criança que se depara com os poemas da Orides, tão cheios de mistério e quase queimando na ponta da língua de tanta intensidade. É uma chance de a criança lembrar do susto e da beleza de ver o mundo por outra perspectiva".

Gravatá lembra da ocasião em que uma criança lhe contou sobre ter conversado com a água. "Ela estava escovando os dentes e decidiu se declarar dizendo 'eu te amo' para a água. O que é isso senão um poema vivido no corpo? Criança que lê poesia encontra alimento para nutrir sua sensibilidade, para continuar brincando, se espantando."

O escritor ressalta que as crianças amam ouvir poemas, ainda mais quando quem apresenta a poesia para elas tem paixão pelo que diz. "Poetas brincam com as palavras, assim como as crianças brincam com tudo que encontram, então elas sabem bem a essência do ofício de quem trama poemas", concluiu. "Provocar a paixão pela literatura já na infância é fundamental", afirmou.

O olhar do organizador e a ilustração que ganha vida

O lançamento do livro foi celebrado em mesa de conversa com a presença do organizador Augusto Massi e da ilustradora Cynthia Cruttenden, na Casa da Árvore, durante a Flip. A autora morreu em 1998, aos 58 anos, logo após o lançamento de Teia.

Para Massi, a poesia de Orides compartilha com a infância uma mesma postura diante do mundo: o olhar investigativo e a liberdade de interpretação. "Tem espaço no livro, contrastes, exatamente para que a criança possa fazer perguntas. Outra coisa que a Orides ensina é realmente tecer considerações sobre as coisas, [como faz] ao descrever certos pássaros. O João de Barros que aparece e ela fala: 'É o pássaro operário, é o pássaro trabalhador'", disse no evento.

Ao relacionar certas vivências da poeta à sua obra, Massi conta que Orides passeava muito com o pai e que eles pescavam juntos. "Vocês vejam, a pesca exige silêncio. É uma atividade que tem silêncio. E, quando você faz silêncio no meio da natureza, escuta o canto dos pássaros, o vento batendo nas folhas", mencionou. "Sem nenhum tom de denúncia, o livro da Orides é um livro ecológico", concluiu.

Massi afirmou que o projeto de ilustração foi "um acontecimento". Em vez de imagens óbvias, a ilustradora explorou formas, cores e movimentos que podem levar a uma diversidade de interpretações. "Não só ela conseguiu dar movimento no livro, mas, ao mesmo tempo, as figuras querem sair do livro. Elas têm força para não ficar encaixadas ali."

Para Cynthia Cruttenden, o interessante para as crianças é a característica lúdica das imagens, que trazem uma liberdade e uma alegria. "Não tem uma figura tão clara, ela está meio escondida ali dentro. São formas com cores fortes e movimento, que trazem uma dualidade das coisas. Eu acho que isso instiga. É mais livre nesse sentido de interpretação e visualmente", disse.

O Circuito Cultural e o impacto na formação de leitores

A Flip também contou neste ano com o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças e adolescentes das comunidades locais para participar do festival literário em Paraty. Além de vivenciar atividades voltadas especialmente a este público na Flipinha e na Casa da Cultura, eles percorreram as ruas do centro histórico da cidade, onde diversas manifestações culturais aconteciam.

Direcionado a estudantes da rede pública e participantes das organizações sociais, o Circuito Cultural é um projeto mais amplo do Instituto Motiva e ocorre em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Ao todo, a iniciativa planeja atingir mais de 3 mil crianças e jovens ao longo deste ano.

"Ao conectar as crianças e os jovens a museus, festivais literários e espaços culturais, a gente busca ampliar repertórios, fortalecer o senso de pertencimento e contribuir para a formação de cidadãos mais críticos, criativos e preparados para construir seus próprios projetos de vida", disse Jéssica Trevisam, gerente do Instituto Motiva.

O Programa Educativo da 24ª Flip, que contempla Flipinha, FlipZona e FlipEduca, teve mais de 15 mil participações em atividades gratuitas realizadas ao longo de quatro dias em Paraty, reunindo crianças, jovens, famílias, educadores e mediadores de leitura.

Para André Gravatá, uma das prioridades de todo evento de literatura deveria ser provocar o interesse das crianças e jovens pela literatura. "Fortalecer os espaços educativos, com mais recursos e programação ampliada, faz diferença no presente e no futuro. Uma das cenas mais lindas que eu vi na Flip deste ano foi uma criança abraçada a um livro. Ela folheava as páginas com os olhos brilhando, o livro era um brinquedo na mão dela!"

"Por isso é tão importante ver a programação do educativo da Flip para as crianças e jovens e outras atividades que também acontecem por lá pra esses públicos, porque assim a gente provoca que desde criança aconteça uma relação afetiva com o livro", disse o escritor, que participou de eventos da Flip neste ano e no ano passado.

*A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.

Perguntas Frequentes

O que é o livro Pelos Olhos de Orides?

É uma adaptação da poesia de Orides Fontela para o público infantil, publicada pela Editora Hedra, que reúne literatura, arte e natureza para despertar a curiosidade e a contemplação nas crianças.

Quem organizou o livro?

O livro foi organizado por Augusto Massi, com ilustrações de Cynthia Cruttenden. O lançamento ocorreu na 24ª Flip, em Paraty.

O que André Gravatá diz sobre a obra?

O poeta e educador André Gravatá destaca que a poesia de Orides oferece às crianças uma chance de ver o mundo por outra perspectiva, nutrindo a sensibilidade e o espanto.

Como foi a participação de crianças na Flip 2026?

Cerca de 270 crianças e adolescentes participaram do Circuito Cultural, promovido pelo Instituto Motiva, que levou estudantes da rede pública a atividades literárias e culturais em Paraty.

Quantas pessoas participaram do Programa Educativo da Flip?

O Programa Educativo da 24ª Flip, que inclui Flipinha, FlipZona e FlipEduca, teve mais de 15 mil participações em atividades gratuitas ao longo de quatro dias.

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