Crítica · Análises e Críticas

Projeto aproxima comunidades de equipamentos culturais em Salvador

ResumoO Projeto de aproximação cultural em Salvador levou moradores de Águas Claras à Flipelô e a equipamentos do centro histórico, como o Pelourinho e o Teatro Castro Alves, pela primeira vez. A iniciativa revela a distância geográfica e social entre a periferia e o circuito cultural da capital baiana, ampliando o acesso a experiências artísticas e históricas.

Moradores de Águas Claras visitaram a Flipelô e outros equipamentos culturais pela primeira vez, revelando a distância entre a periferia e o centro histórico de Salvador.

Bárbara Ishikawa
Bárbara Ishikawa Entrevistadora e Repórter de Bastidores de Cinema · 10 de agosto de 2026
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8.1/10
VereditoMoradores de Águas Claras visitaram a Flipelô e outros equipamentos culturais pela primeira vez, revelando a distância entre a periferia e o centro histórico de Salvador.

O sábado (8) mudou o repertório de um grupo de moradores de Águas Claras, em Salvador. Pela primeira vez, eles visitaram o centro histórico da cidade e a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Entre eles, mulheres com mais de 60 anos que frequentam a Biblioteca Comunitária Condor Literário. A decisão de bastidor, aqui, foi logística: tirar quem vive à margem da cidade e colocá-lo diante da própria história.

Moradora de Águas Claras, Soraia Santos Pinto, 61, passou por um quadro de depressão antes de encontrar a biblioteca comunitária. Hoje, faz aulas de boxe, capoeira e dança no local. No passeio, conheceu a Flipelô, a Fundação Casa de Jorge Amado e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), instituições onde nunca havia entrado. "Isso abre o nosso entendimento. Isso é cultura e é bom para a gente. Eu amei", disse.

Maian Oliveira, 36, levou os três filhos, integrantes da capoeira Unira. Foi o primeiro contato da família com o Muncab. "A cultura mostra quem nós somos, de onde nós viemos", afirmou. No dia a dia, contou, é difícil levar as crianças ao centro: "Quando se tem mais de duas crianças, o transporte fica um pouco complicado". Águas Claras fica a cerca de 25 minutos do centro histórico, mas a distância social é maior.

Aline Dias, articuladora territorial do bairro, explica: "A comunidade de Águas Claras vive muito dela mesma, vive em rede. Por muito tempo ficou à margem da cidade". A chegada do metrô e a construção de uma rodoviária ampliaram ações sociais e culturais. "Tenho visto mudança na autoestima da comunidade em relação à cidade", observa.

O passeio foi viabilizado pelo Circuito Cultural, projeto do Instituto Motiva, que promove visitas gratuitas a instituições de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A iniciativa surge num cenário de acesso desigual: dados do IBGE mostram que menos de um terço dos municípios brasileiros tem museus. Pesquisa do Observatório Fundação Itaú aponta que apenas 16% dos brasileiros visitaram um museu em 12 meses.

"Precisamos pensar em iniciativas que deem vazão ao que acontece na comunidade", defende Aline. Ariane Teles, do Instituto Motiva, completa: "A cultura é uma ferramenta poderosíssima de transformação social". A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador da Flipelô 2026.

Perguntas Frequentes

O que é o Circuito Cultural?

É um projeto do Instituto Motiva que leva estudantes e participantes de organizações sociais a museus e centros culturais em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Quem participou do passeio em Salvador?

Moradores de Águas Claras, incluindo idosas da Biblioteca Comunitária Condor Literário e crianças da capoeira Unira.

Por que o acesso à cultura é desigual no Brasil?

Menos de um terço dos municípios tem museus, e a visitação se concentra entre faixas de maior renda, segundo o IBGE.

Como levar mais comunidades à cultura?

Com políticas públicas e investimento, como sugere a articuladora Aline Dias, para que as comunidades também produzam seus próprios eventos literários.

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