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Celular impulsiona leitura digital no Brasil, diz pesquisa

ResumoPesquisa Nielsen BookData revela que o celular impulsiona a leitura digital no Brasil, alcançando 94 milhões de leitores. O smartphone é o principal dispositivo de acesso a conteúdos digitais, conforme levantamento. O aparelho supera outros meios, como tablets e computadores, no consumo de livros e textos online.

Pesquisa Nielsen BookData mostra que o celular impulsiona a leitura digital no Brasil, com 94 milhões de leitores. Smartphone é o principal dispositivo de acesso, aponta levantamento.

Larissa Queiroga
Larissa Queiroga Repórter de Festivais e Circuito · 02 de setembro de 2026
Celular impulsiona leitura digital no Brasil, diz pesquisa
7.0/10
VereditoPesquisa Nielsen BookData mostra que o celular impulsiona a leitura digital no Brasil, com 94 milhões de leitores. Smartphone é o principal dispositivo de acesso, aponta levantamento.

São 94 milhões de brasileiros lendo em telas. A constatação é da pesquisa Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro, da Nielsen BookData, divulgada nesta quarta-feira (2). O levantamento ouviu 3 mil pessoas de todas as classes e regiões entre 1º e 11 de junho, e traça um retrato do consumo de notícias, livros, audiolivros, PDFs, quadrinhos e mangás em dispositivos eletrônicos.

O celular é o protagonista dessa história: 72% dos que leem e-books ou ouvem audiolivros o fazem pelo smartphone, e 85% dos que consomem outros formatos digitais também preferem a tela pequena. A pesquisa revela ainda que 61% dos leitores de livros digitais escolheram o formato pela facilidade de acesso, e 48% pela possibilidade de carregar vários títulos num só aparelho. O preço mais baixo que o do papel aparece em terceiro lugar entre os motivos.

Conheci uma leitora que personifica esses números. Maria das Neves de Araújo Alves, a Nevinha, 60 anos, é técnica de enfermagem e cuidadora. Mora em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, e trabalha em Brasília. Passa ao menos três horas por dia dentro de ônibus, e parte desse tempo dedica a romances e livros de ação no telefone. "Prefiro ler no telefone porque ele está sempre comigo e posso ler no ônibus, no posto de saúde, em quase todo lugar", contou à Agência Brasil. O suporte eletrônico eliminou barreiras práticas: sem livraria perto de casa, ela trocou o peso do papel pela tela que já carregava na bolsa.

Os dados mostram um consumo cultural marcado pela desigualdade. Sessenta e quatro por cento dos leitores digitais integram as classes C (46%), D e E (18%). A classe B soma 29%, e a A, 7%. O perfil predominante é de jovens adultos de 18 a 44 anos, com 56% de mulheres. Metade se declara branca; pardos são 37%, e pretos, 11%.

Há também um alerta: 48,8% dos entrevistados consumiram livros e audiolivros gratuitos em sites ou links não oficiais, e 46% admitiram nem sempre saber se um download é legal. Por outro lado, 46,4% recorreram a plataformas institucionais, como o MEC Livros, do Ministério da Educação, que em menos de seis meses superou 1,1 milhão de usuários e 750 mil downloads.

Para Rafael Lunes, presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, a tecnologia virou o canal por onde a cultura rompeu barreiras físicas. Ele cita o IBGE: em 2018, só 18% dos 5.570 municípios brasileiros tinham livraria. A rede móvel chega onde as livrarias não chegam. Rodrigo Meinberg, da plataforma Skeelo, que ajudou a viabilizar o estudo, resume: "Talvez nunca antes na História tantas pessoas tenham falado sobre livros como agora". O que fica é a percepção de que a tela, antes vista como vilã, virou porta de entrada para a leitura. Quando os números de acesso chegarem às salas comerciais, talvez o cinema também sinta esse efeito.

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