# Bodansky revisita carreira em novo documentário

> Jorge Bodansky, cineasta brasileiro, lança Um Olhar Inquieto, documentário que revisita a carreira do diretor a partir de imagens de 1973. A obra conecta a ocupação da Amazônia registrada na década de 1970 com os conflitos ambientais e sociais contemporâneos, evidenciando a persistência do problema. O filme utiliza arquivos históricos para demonstrar a atualidade das questões territoriais na região.

*Vídeo na Frente · Análises e Críticas · 31 de julho de 2026 · Larissa Queiroga*

Cineasta Jorge Bodansky revisita carreira em Um Olhar Inquieto, documentário que parte de imagens de 1973 para mostrar como a ocupação da Amazônia segue um problema atual.

## Bodansky revisita carreira em novo documentário e mostra Amazônia que não mudou

Em 1973, Jorge Bodansky era cinegrafista de uma TV alemã e sobrevoou os arredores de Aripuanã (MT) para registrar a criação da Cidade Laboratório de Humboldt. Durante o voo, com uma câmera Super-8, filmou por acaso um grupo de indígenas Paiter Suruí isolados, que tentavam flechar o avião. As imagens ficaram esquecidas até serem digitalizadas recentemente. Agora, elas são o ponto de partida de Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodansky, documentário exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito Cinesur, festival que ocorre até sábado (1°/8) em Bonito (MT).

## O que o novo documentário de Bodansky revela sobre a Amazônia

O filme nasce de uma pergunta: quem eram aqueles indígenas? Foi esse questionamento que levou Bodansky a revisitar toda a carreira e a voltar ao local das filmagens para descobrir a identidade daqueles retratados casualmente e documentar como a região mudou.

"O objetivo desse sobrevoo não eram os indígenas, por acaso eles apareceram e subiram no telhado e tentaram flechar o avião. Essa imagem ficou esquecida e agora ela apareceu e eu pensei: 'Puxa vida, isso me intrigou muito. Quem são esses indígenas?'", disse o cineasta.

## Como a carreira de Bodansky se conecta com a história dos Paiter Suruí

A pesquisa virou um filme autobiográfico. "No decorrer desse processo de pesquisar imagens eu acabei contando a minha história também. Então esse é um filme autobiográfico e que conta uma história que eu vivi", afirmou.

Passados 50 anos, Bodansky diz que sua forma de fazer cinema pouco mudou. "O título do filme é Um Olhar Inquieto porque acho que meu olhar continua inquieto. Eu sempre olho e procuro as coisas. Minha forma de me posicionar diante da imagem do cinema continua a mesma. Eu continuo fazendo esse tipo de cinema de aventura, de observação e preocupado com a questão social."

O que mudou foi o cenário. Muitos daqueles indígenas morreram por doenças ou violências quando começaram a ser contatados. O projeto Humboldt estava em ruínas. A paisagem jamais foi a mesma.

## O que a volta de Bodansky a Aripuanã mostra sobre o presente

Ao voltar a filmar a região, a câmera registra a soja no lugar da floresta. "A questão que aconteceu com esses indígenas, não quero dar o spoiler, mas é a história que todo mundo sabe. E a outra é que quando eu estive lá, era floresta até o horizonte. Hoje é soja até o horizonte."

A exploração da Amazônia encampada pela ditadura militar segue um problema atual. "Essa é uma forma de ocupação que começou na ditadura militar e que não mudou até agora", ressaltou o cineasta.

## Por que a ocupação da Amazônia continua a mesma, segundo o documentário

Bodansky aponta que a lógica não mudou. "Independentemente do governo que está de plantão, a forma de ocupar a Amazônia e de ver a Amazônia é a mesma. Você parte do princípio de que não existe nada lá e temos que ocupá-la e fazê-la produzir. Isso não leva em consideração que lá tem gente e que sabe o que quer - e que luta por isso."

Para ele, a solução passa pela organização da sociedade civil. "Hoje você vai a qualquer comunidade quilombola, ribeirinha ou indígena e eles estão organizados, têm representatividade, sabem o que querem."

## O que esperar de Um Olhar Inquieto quando chegar às salas

O documentário ainda não tem data de estreia comercial, mas a mostra competitiva ambiental do Bonito Cinesur dá o tom: é um filme de observação e preocupação social, no estilo que Bodansky mantém há cinco décadas. Para quem acompanha o circuito de festivais, fica o alerta: o filme revisita não só a carreira do cineasta, mas uma ferida aberta na Amazônia.

Se você se interessa por cinema autoral e pela história recente do Brasil, guarde o nome. Um Olhar Inquieto promete render conversas sobre ocupação, memória e o papel do documentário.

## Perguntas Frequentes

### Onde o documentário Um Olhar Inquieto foi exibido?

O filme foi exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito Cinesur, festival que ocorre até sábado (1°/8) em Bonito (MT).

### O que Bodansky filmou em 1973?

Em 1973, durante um sobrevoo para a TV alemã, Bodansky registrou por acaso indígenas Paiter Suruí isolados tentando flechar o avião. As imagens ficaram esquecidas por décadas.

### O que mudou na Amazônia desde 1973, segundo o filme?

Bodansky mostra que a floresta deu lugar à soja e que a forma de ocupação iniciada na ditadura militar continua a mesma, independentemente do governo.

### Qual é a abordagem do novo documentário de Bodansky?

O filme é autobiográfico e parte da revisão de imagens antigas para contar a história do cineasta e a dos Paiter Suruí, com foco na questão social.

*A repórter viajou a convite do Bonito CineSur.

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Fonte (canonical): https://videonafrente.com.br/analises-e-criticas/novo-documentario-bodansky-revisita-carreira-destaca-mudancas/
