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Luto no cinema brasileiro: morre Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos

ResumoLuiz Carlos Barreto, cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor, faleceu em 22 de novembro de 2023, aos 98 anos. Barretão foi figura central na história do cinema brasileiro, com trajetória marcante no audiovisual nacional. A morte representa perda significativa para a cultura do país.

O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) um de seus maiores protagonistas. Morreu, aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão, responsável por uma das trajetórias mais importantes da história do audiovisual nacional.

Bárbara Ishikawa
Bárbara Ishikawa Entrevistadora e Repórter de Bastidores de Cinema · 22 de julho de 2026
Luto no cinema brasileiro: morre Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos
8.2/10
VereditoO cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) um de seus maiores protagonistas. Morreu, aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão, responsável por uma das trajetórias mais importantes da história do audiovisual nacional.

O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) um de seus maiores protagonistas. Morreu, aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto, o Barretão, responsável por uma das trajetórias mais importantes da história do audiovisual nacional. Ao longo de mais de seis décadas, participou diretamente da construção do Cinema Novo e da consolidação da indústria cinematográfica brasileira, assinando mais de uma centena de produções que marcaram gerações.

A decisão de bastidor que moldou o Cinema Novo

Muito antes de se tornar um dos maiores produtores do Brasil, Luiz Carlos Barreto construiu carreira como fotojornalista da revista O Cruzeiro, onde trabalhou como repórter fotográfico e correspondente na Europa. Cobriu acontecimentos históricos e fotografou personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe. O primeiro contato com uma produção cinematográfica ocorreu ainda na infância, quando acompanhou a passagem de Orson Welles pelo Ceará, durante as filmagens de um documentário sobre os jangadeiros. Mais tarde, um encontro com Glauber Rocha, durante as filmagens de Barravento, mudaria definitivamente seu destino, aproximando-o do Cinema Novo.

O casal que redefiniu a produção nacional

Ao lado da esposa, Lucy Barreto, com quem estava casado desde 1954, formou o casal mais longevo e influente da produção cinematográfica brasileira. Juntos, fundaram a LC Barreto, produtora que completa 63 anos de existência e que se tornou referência na realização de filmes responsáveis por projetar o cinema nacional dentro e fora do país. A empresa produziu clássicos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Memórias do Cárcere, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?, os dois últimos indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

A técnica por trás da identidade visual

Como diretor de fotografia, Barretão ajudou a construir a identidade visual de duas obras-primas do cinema brasileiro: Vidas Secas (1963) e Terra em Transe (1967). Depois, como produtor, tornou-se um dos principais articuladores do audiovisual brasileiro, ampliando a capacidade de produção nacional e levando filmes brasileiros aos maiores festivais do mundo. A paixão pelo cinema nasceu ainda dentro da casa da família, onde foi instalada uma das primeiras moviolas do país. Ali foram montados filmes fundamentais do Cinema Novo, entre eles Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Os Fuzis, de Ruy Guerra.

O legado que atravessa gerações

A história da família Barreto se confunde com a própria história do cinema brasileiro. Os três filhos do casal, Bruno Barreto, Fábio Barreto e Paula Barreto, seguiram carreira no audiovisual e assumiram papéis importantes na produtora. A trajetória familiar também foi marcada pela tragédia: em 2009, o diretor Fábio Barreto sofreu um grave acidente de carro que o deixou em coma por dez anos, até sua morte, em 2019.

Reações e homenagens

A morte de Barretão provocou manifestações de pesar entre produtores, diretores e representantes do setor audiovisual. Em nota oficial, o Ministério da Cultura destacou que Luiz Carlos Barreto foi "um dos mais importantes nomes da história do cinema brasileiro", ressaltando sua atuação como fotógrafo, jornalista, produtor e um dos protagonistas do Cinema Novo. A pasta também lembrou que, ao lado de Lucy Barreto, ajudou a projetar internacionalmente o cinema brasileiro e consolidou uma indústria cultural reconhecida mundialmente.

O diretor Cavi Borges, fundador da Cavideo, destacou a importância do cineasta para diferentes gerações. "O Barretão era uma grande inspiração. Não era apenas o produtor que conseguia viabilizar financeiramente os filmes; ele também pensava o cinema." A produtora Glaucia Camargos afirmou que Barreto foi um dos maiores defensores da cultura nacional: "Luiz Carlos faz parte daquele grupo de brasileiros que pensava o país acima de tudo." O produtor Nilson Rodrigues lamentou: "Sem Luiz Carlos Barreto, o cinema brasileiro seria apenas metade do que é hoje." Para a cineasta Carla Camurati, Barreto foi o "grande guerreiro, o melhor, o grande soldado do cinema brasileiro".

Perguntas Frequentes

Quando morreu Luiz Carlos Barreto?

Luiz Carlos Barreto morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos.

Onde Luiz Carlos Barreto estava internado?

Ele estava internado desde segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Qual foi a causa da morte de Luiz Carlos Barreto?

Barreto estava tratando uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.

Quantos filmes Luiz Carlos Barreto produziu?

Ele assinou mais de uma centena de produções ao longo de sua carreira.

Quem era a esposa de Luiz Carlos Barreto?

Era Lucy Barreto, com quem estava casado desde 1954.

Qual a importância de Luiz Carlos Barreto para o cinema brasileiro?

Ele foi um dos protagonistas do Cinema Novo, fundou a LC Barreto e produziu clássicos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil e O Que É Isso, Companheiro?, indicado ao Oscar.

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