Livro inspirado na trajetória de Helena Theodoro é lançado no Rio
A biografia Dona Helena Theodoro, Uma Tia Negra da Filosofia Popular Brasileira será lançada no Rio, na Biblioteca Parque Estadual, com a presença da professora e da autora Carla Rocha.
A biografia Dona Helena Theodoro, Uma Tia Negra da Filosofia Popular Brasileira será lançada nesta quarta-feira (2), na Biblioteca Parque Estadual (BPE), no Rio. O encontro, das 14h às 17h, coloca frente a frente a professora Helena Theodoro e a autora, Carla Rocha, que se admiram mutuamente. A obra nasce de uma tese de mestrado em filosofia na UFRJ e conta a história das Tias Negras, mulheres que acolhem a coletividade e preservam a memória de suas comunidades.
Carla Rocha, que assiste às aulas de Helena há mais de 30 anos, define a professora com entusiasmo: "Ela tem um vigor fantástico e não é uma pessoa que busca ser absoluta. Ela quer empoderar todas as pessoas." A aluna, agora doutoranda, segue com Helena como orientadora. O livro, porém, não é uma biografia convencional. Helena Theodoro, primeira mulher negra a defender doutorado em filosofia africana, em 1985, explica: "É um estudo de pensamentos filosóficos e de maneira de atuação. Não é uma coisa presa à minha vida."
A ideia de escolher Helena como tema foi do professor Rafael Haddock-Lobo, orientador do mestrado, com coorientação de Marcelo Derzi Moraes. Helena, que não sabia o tema da tese, conta que chorou ao receber o trabalho na banca: "Como você faz isso comigo?". A publicação também reúne textos de Haddock-Lobo (orelha), Mariane Biteti (prefácio), Derzi Moraes (apresentação) e da própria Helena (posfácio).
A trajetória de Helena Theodoro é marcada pela militância. Filha de pais militantes, ela cresceu em uma família que celebrava a coletividade. "Meu pai dizia que a minha mãe e as irmãs dela formavam a máfia do bem, porque tudo era coletivo", lembra. Aos 83 anos, segue ativa: só no ano passado participou de 32 bancas, como única professora pós-doc em filosofia africana e única negra do departamento de filosofia da UFRJ.
A vida também teve momentos difíceis, como a morte do filho Maurício, em 1981, aos 4 anos. Helena conta que foi amparada pelo Ilê Axé Opô Afonjá e pelo mestre Didi: "Me fizeram, com 15 dias, voltar para a escola e dar aula." Carla Rocha, criada em Vicente de Carvalho, na zona norte, é jornalista e filósofa, autora de ensaios pela Flup e integrante do coletivo Mulheres Sambistas. O lançamento na BPE, equipamento da Secec-RJ, terá também os professores Rafael Haddock-Lobo, Marcelo José Derzi Moraes e Mariane Biteti.