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Poetas na Praça: poesia de subversão na ditadura

ResumoPoetas na Praça, movimento de jovens baianos no final dos anos 1970, desafiou a ditadura militar com recitais de poesia subversiva na Praça da Piedade, em Salvador. A ação coletiva transformou o espaço público em território de resistência cultural. O legado do grupo foi tema de debate na Flipelô 2026, reafirmando a relevância histórica da poesia como ferramenta de contestação política.

No final dos anos 70, jovens poetas baianos desafiaram a repressão recitando versos de subversão na Praça da Piedade. O legado do movimento foi debatido na Flipelô 2026.

Marcelo Tenório
Marcelo Tenório Repórter de Animação e Cinema de Gênero · 07 de agosto de 2026
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VereditoNo final dos anos 70, jovens poetas baianos desafiaram a repressão recitando versos de subversão na Praça da Piedade. O legado do movimento foi debatido na Flipelô 2026.

Poetas na Praça: a poesia de subversão que desafiou a ditadura militar na Bahia

No final dos anos 70, em plena ditadura militar, um grupo de jovens poetas decidiu se reunir em praça pública para declamar versos e desafiar a repressão. Foi assim que surgiu o movimento Poetas na Praça, formado por estudantes baianos que transformaram a poesia em marco de resistência política, cultural e social.

O que foi o Poetas na Praça? O movimento reuniu jovens poetas na Praça da Piedade, em Salvador, para declamar poesias de subversão em plena ditadura militar, desafiando as autoridades e popularizando a poesia com linguagem coloquial e urbana.

A fundadora que era a única mulher do grupo

Uma das dez fundadoras do movimento foi a poeta Ametista Nunes, que no início era a única mulher do grupo. "Em 1979, quando a gente começou, era exatamente na época da ditadura, momento em que poesias eram proibidas, músicas eram proibidas e os artistas eram todos proibidos, exilados ou mortos", disse ela. "E a gente também sabe a história de muitos que foram assassinados ou desaparecidos."

Segundo Ametista, o movimento praticava uma espécie de desafio às autoridades da época, porque acontecia justamente em frente ao prédio onde se encontra a sede da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, na região da Praça da Piedade, uma praça histórica de Salvador "onde os escravos foram enterrados".

"Lá a gente recitava [os versos] e eram só poesias de subversão. Era de provocação mesmo, a gente provocava bastante", ressaltou.

A poesia como instrumento de resistência

Em entrevista à Agência Brasil, Ametista destacou que a poesia, naquela época, serviu como importante instrumento de resistência, e que a arte continua sendo fundamental para os tempos de hoje.

"Ou a gente entra com a arte nesse processo social ou nunca vai mudar as mentes. Nem os corações", disse ela, logo após acompanhar uma mesa realizada na Casa Motiva para discutir o legado do Poetas na Praça.

O grito de utopia e igualdade

Ao debater a importância do movimento na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), a poeta Semírames Sé, uma das principais vozes femininas do Poetas na Praça, ressaltou que a provocação era característica constante daquele grupo. "A poesia foi sempre uma batalha, foi sempre nosso grito de utopia, o nosso grito de igualdade, fraternidade e comunhão. Foi assim que cheguei à Praça da Piedade", contou.

A popularização da poesia como grande vitória

Além de gritar pela democracia, esses jovens também ajudaram a popularizar a poesia, destacou Douglas de Almeida, que integrou o movimento. "Antes, a poesia era inatingível. Mas o que é que esses poetas fizeram? Eles popularizaram esse gênero literário com uma linguagem mais coloquial, mais urbana, mais irônica e direta para os transeuntes lá da Praça da Piedade. Essa foi uma grande vitória do movimento."

Outra grande conquista foi o aspecto pedagógico ou educacional, ressaltou Almeida. "A gente também fez um trabalho editorial porque grande parte das pessoas não tinha o hábito da leitura. Os poetas começaram a fazer antologias não apenas com seu poema autoral, mas com o de outros poetas como Manuel Bandeira ou Cecília Meireles. Então, de certa forma, a gente estava divulgando a poesia brasileira."

"Quando a população se acercava da praça, ela terminava tendo um mundo gigantesco. A praça tinha essa riqueza de levar poesia à população que não tinha nem o hábito de leitura", afirmou o poeta.

Poemas de amor em tempos de repressão

E nem só de poesia subversiva viviam aqueles poetas. "Mesmo revolucionários e que se dedicavam contra a ditadura e a censura, eles ainda tinham o tempo para fazer poemas de amor", contou Almeida. "Quanto mais amor se gasta, mais bonito o amor brota", poetizou.

O legado na Flipelô 2026

A Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) é considerada a maior da Bahia. Neste ano, o evento chega à sua décima edição e a expectativa dos organizadores é de que mais de 250 mil pessoas possam aproveitar a programação cultural, que ocorre até o próximo domingo (9). Mais informações sobre a Flipelô podem ser acessadas em seu site oficial.

Perguntas Frequentes

O que foi o movimento Poetas na Praça?

Foi um grupo de jovens poetas baianos que, no final dos anos 70, se reunia na Praça da Piedade, em Salvador, para declamar poesias de subversão em plena ditadura militar.

Quem foi Ametista Nunes?

Uma das dez fundadoras do Poetas na Praça, e a única mulher do grupo no início. Ela destacou o papel da poesia como resistência à repressão.

Onde aconteciam as apresentações?

Em frente ao prédio da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, na Praça da Piedade, uma praça histórica de Salvador.

Qual foi a importância do movimento?

Além de desafiar a ditadura, o movimento popularizou a poesia com linguagem coloquial e urbana, e fez trabalho editorial divulgando poetas como Manuel Bandeira e Cecília Meireles.

O que é a Flipelô?

A Festa Literária Internacional do Pelourinho, considerada a maior da Bahia, que em 2026 chega à décima edição com expectativa de mais de 250 mil visitantes.

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