Flip: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal
Na noite dessa quarta-feira (22), a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) abriu com uma mesa que definiu a homenageada Orides Fontela como poeta universal. O crítico Augusto Massi conduziu o público pela obra da escritora.
Flip: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal
Na noite dessa quarta-feira (22), a mesa de abertura da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) definiu a homenageada Orides Fontela como poeta universal. O crítico literário Augusto Massi, amigo e editor da escritora, conduziu o público lotado por sua trajetória.
Quem é Orides Fontela, a poeta universal da Flip 2026
Augusto Massi, crítico literário e professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP), descreveu Orides como alguém que "é frágil e forte", "alucinada e lúcida". Ele afirmou que "muitas vezes, a gente perde a dimensão diante do anedotário que envolve a Orides". A mesa também contou com a participação da poeta Marília Garcia.
A trajetória literária de Orides apresentada na Flip
Massi apresentou a obra da escritora como uma travessia, levando o "leitor pela mão" para chegar mais perto de sua poesia. Ele destacou elementos que atravessam o trabalho dela: a formação católica, a cultura greco-romana, os estudos em filosofia e a experiência no zen budismo.
Os cinco livros de poesia de Orides Fontela
Ao longo da carreira, Orides publicou cinco livros de poesia: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996). Com Alba, que tem prefácio do crítico Antonio Candido, ela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Poesia.
A poesia visual e a inovação de Orides
Massi ressaltou a relevância da pontuação e dos sinais gráficos na construção dos poemas. "O gosto da Orides é por uma poesia visual e plástica, o gosto pela imagem", disse. Ele citou o poema São Sebastião, onde o travessão funciona como "as setas atravessando as palavras, o corpo do texto".
No livro Rosácea, Massi apontou um caminho novo: "é a primeira vez que ela fala da vida pessoal dela". O poema Herança traz objetos como um martelo, duas chaves, um caldeirão e um lenço. "Não tem verbo, são coisas. É uma herança concreta de alguém de uma família pobre", analisou. "Tudo que ela reduz vira alguma coisa que se irradia de sentido."
O último livro e o poema final de Orides Fontela
O último livro, Teia, foi publicado dez anos depois do anterior. Massi fez um contraponto entre os poemas Teia e Coruja. "Não é mais a coruja, que é a caçadora, que é aquela que vai e abate. Essa poética ferina e cruel da primeira Orides. Essa teia é outra."
Ao fim, citou o último poema publicado em vida: Estrela da Tarde. "Agora que ela vai morrer, que ela sabe que vai morrer, ela está escolhendo a estrela da tarde, a que brilha mais forte. E é uma que não precisa nem da alba, nem da noite."
A Flip 2026 tem programação cultural até domingo (26) em diversos espaços no centro histórico de Paraty.
Perguntas Frequentes
Quem é Orides Fontela?
Orides Fontela é a poeta homenageada da 24ª Flip, definida pelo crítico Augusto Massi como poeta universal.
Quantos livros Orides Fontela publicou?
Ela publicou cinco livros de poesia: Transposição, Helianto, Alba, Rosácea e Teia.
Orides Fontela ganhou algum prêmio?
Sim, ela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Poesia com o livro Alba.
O que é a Flip?
A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) é um evento cultural que ocorre no centro histórico da cidade.
Quando acontece a Flip 2026?
A 24ª edição da Flip começou na quarta-feira (22) e vai até domingo (26).