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Filme sobre ditadura paraguaia vence Bonito CineSur

ResumoO filme paraguaio "El Supremo Manuscrito" venceu o Bonito CineSur, festival realizado em Bonito, Mato Grosso do Sul. A obra aborda a ditadura de Alfredo Stroessner, período histórico paraguaio entre 1954 e 1989. A produção retrata a repressão política e a resistência civil. Outros premiados da noite incluíram produções brasileiras e latino-americanas em categorias como documentário e curta-metragem.

Filme paraguaio sobre a ditadura de Stroessner vence o Bonito CineSur. Conheça a história real que inspirou a obra e os outros premiados da noite.

Hélio Bastos Caetano
Hélio Bastos Caetano Colunista de Cinema Cult e Clássicos · 03 de agosto de 2026
Filme sobre ditadura paraguaia vence Bonito CineSur
7.2/10
VereditoFilme paraguaio sobre a ditadura de Stroessner vence o Bonito CineSur. Conheça a história real que inspirou a obra e os outros premiados da noite.

Filme sobre a ditadura paraguaia vence Festival Bonito CineSur

O filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? foi o grande vencedor da categoria de melhor longa sul-americano no festival de cinema Bonito CineSur. O júri oficial escolheu a obra, e a cerimônia de encerramento aconteceu na noite de sábado (1º) no Centro de Convenções, em Bonito (MS).

¿Quién Mató a Narciso? é dirigido por Marcelo Martinessi e baseado no livro Narciso, do jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá. O filme é inspirado no assassinato do jovem Bernardo Aranda, em 1959, um locutor de rádio homossexual que amava o rock and roll e que foi queimado enquanto dormia. O crime jamais foi solucionado, mas, para a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia, o assassinato pode ter sido tramado pelo governo militar.

A ditadura mais longa da América do Sul

O governo militar comandado pelo general Alfredo Stroessner é considerado a ditadura mais longa da América do Sul. Durante os 35 anos em que permaneceu no poder, promoveu quase 20 mil prisões arbitrárias ou ilegais, 59 execuções, 336 desaparecimentos e torturou quase 19 mil pessoas. Além disso, 3.470 pessoas precisaram ser exiladas, segundo dados divulgados em 2003 pela comissão. Entre os grupos que mais sofreram violações nesse período estavam os formados por pessoas LGBT+, como Aranda.

O que diz o elenco

O ator Diro Romero, que interpreta Narciso no cinema, celebrou o prêmio: "De verdade, este prêmio proporciona um desfecho mais do que lindo. Todos queremos colaborar e continuar contando histórias. Valorizamos nossas narrativas e acreditamos que é preciso contá-las e mostrá-las ao mundo. Temos muito a contar, muitas mensagens a transmitir."

Em entrevista à Agência Brasil logo após a premiação, o ator reforçou que é preciso contar a história sobre as ditaduras sul-americanas para que elas jamais voltem a se repetir. "Dizemos que a ditadura terminou há vários anos, mas não somente sentimos que há indícios de que ela segue entre nós, como também estamos começando a ter certos sinais no mundo para os quais temos que estar alertas. Então, este é o momento de abrir os olhos e nós, através do cinema, vamos fazer com que isso não chegue novamente no futuro", destacou.

Os outros premiados da noite

Outro grande premiado foi o diretor colombiano Alejandro Calderón, que levou três estatuetas para casa. O primeiro troféu foi por Hipopótamos, el Arca de Escobar, selecionado como melhor curta-metragem de cinema ambiental pelo júri. Ele também conquistou mais duas estatuetas pelo longa-metragem Páramos II: El Origen, escolhido tanto pelo público quanto pelo júri oficial como o melhor filme de cinema ambiental. No documentário, Calderón reúne um grupo de especialistas para explicar a formação desses ecossistemas e sua importância para o ciclo hídrico, citando os riscos que esse bioma corre por causa da exploração de seus recursos para a mineração, a monocultura e a pecuária.

"Isso é incrível [ser premiado]. Sinceramente, nunca imaginei que isso aconteceria. Estou muito empolgado e isso é também uma recompensa pelos anos de esforço da equipe viajando pela Colômbia, atravessando montanhas, páramos e rios, enfrentando muitas dificuldades e perigos, pois esse é um trabalho de alto risco", disse ele à reportagem.

Ao receber os prêmios, Calderón prestou uma homenagem especial a 150 ativistas ambientais colombianos que foram assassinados nos últimos três anos. "A Colômbia é o país com o maior número de assassinatos de líderes ambientais - pessoas que dependem do meio ambiente", citou ele, ao discursar. "Muitos dos diversos líderes ambientais retratados em nossos filmes sofreram ameaças e alguns deles nos pediram para que déssemos mais visibilidade ao seu trabalho. Eles encaram a visibilidade como uma forma de proteção: em vez de permanecerem ocultos, querem que o mundo saiba quem são e o que fazem, para que todos possamos trabalhar juntos em sua proteção", disse o diretor.

O festival e o futuro

Na quarta edição, o Bonito CineSur apresentou 32 filmes de dez países sul-americanos entre curtas e longas. Além disso, o festival promoveu aulas, debates, atividades de formação, encontros com realizadores e sessões especiais em homenagens à atriz Paulina Garcia e aos cineastas Vincent Carelli e Luiz Puenzo.

Para as próximas edições, o diretor do festival Nilson Rodrigues destacou a expectativa de reunir ainda mais países sul-americanos, formando um bloco para produção e divulgação audiovisual. "Nós precisamos ser um bloco, precisamos criar condições para circular os nossos produtos entre nossos vizinhos. Se a Europa se transformou em um bloco, quando circulam produtos, pessoas e a economia se desenvolve, nós também haveremos de ser um bloco, na América do Sul. Mas cedo ou mais tarde nós seremos", disse ele, durante a cerimônia de premiação.

"O festival é um espaço onde a gente pode ver os filmes, pode celebrar, pode trocar ideias, pode criar conexões, mas ele não resolve as coisas. Nós queremos mais coproduções, nós queremos codireção. Para isso, é preciso que as instituições se envolvam. No ano que vem nós queremos trazer aqui para o festival os ministérios da Cultura desses países e suas organizações para criar programas bilaterais ou multilaterais para que a gente possa se conhecer mais e para que a gente possa ter o direito de se ver nas telas de cinema", acrescentou Rodrigues.

Perguntas Frequentes

O filme ¿Quién Mató a Narciso? é baseado em fatos reais?

Sim, o filme é inspirado no assassinato do jovem Bernardo Aranda, em 1959, um locutor de rádio homossexual que foi queimado enquanto dormia. O crime jamais foi solucionado, mas a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia aponta possível envolvimento do governo militar.

Quem dirigiu o filme vencedor do Bonito CineSur?

O filme foi dirigido por Marcelo Martinessi, baseado no livro Narciso, do jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá.

Quantos filmes foram apresentados no festival?

Na quarta edição, o Bonito CineSur apresentou 32 filmes de dez países sul-americanos, entre curtas e longas.

Quem foi o outro grande premiado da noite?

O diretor colombiano Alejandro Calderón levou três estatuetas, pelos filmes Hipopótamos, el Arca de Escobar e Páramos II: El Origen. cinema sul-americano festivais de cinema

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