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Festival Rio Cello leva música a vários espaços do Rio

ResumoO Festival Rio Cello, em sua 32ª edição, inicia neste sábado (8) com programação gratuita em museus, igrejas e praças do Rio de Janeiro. A abertura ocorre nos jardins do Museu da República, com dança e homenagem a Tom Jobim e Vinícius de Moraes. O evento espalha música de concerto por diversos espaços urbanos até o encerramento.

O 32º Rio Cello começa neste sábado (8) e espalha música de concerto por museus, igrejas e praças do Rio. A abertura tem dança nos jardins do Museu da República e homenagem a Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Hélio Bastos Caetano
Hélio Bastos Caetano Colunista de Cinema Cult e Clássicos · 08 de agosto de 2026
Dança em Trânsito estreia com ingressos de R$ 10 a R$ 20 no
7.2/10
VereditoO 32º Rio Cello começa neste sábado (8) e espalha música de concerto por museus, igrejas e praças do Rio. A abertura tem dança nos jardins do Museu da República e homenagem a Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

Festival Rio Cello leva música a vários espaços do Rio de Janeiro

O Rio Cello, considerado o maior festival de violoncelos do país, ocupa a capital fluminense com apresentações em espaços urbanos que vão de museus a igrejas. A 32ª edição começa neste sábado (8) e segue até domingo (16), com programação gratuita que reserva logo na abertura uma apresentação de dança com música brasileira nos jardins do Museu da República, no Catete, zona sul da cidade.

O que é o Rio Cello: é o maior festival de violoncelos do Brasil, com programação gratuita e apresentações em vários espaços urbanos do Rio de Janeiro, de 8 a 16 de agosto.

Abertura dançante nos jardins do Museu da República

A dançarina e coreógrafa Chris Cecconelo dançará em homenagem a Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Ela terá ao seu lado o cellista Lui Coimbra, que faz a estreia no festival, e os violinistas Karolin Broosch e Thiago Cosmo. O concerto de abertura conta ainda com o grupo Amores do Rio, a Camerata Laranjeiras e os corais Cantos da Urca e Cantos do Largo, sob a regência do maestro Jonas Hammar.

Onde o festival acontece neste ano

Além do Museu da República, as apresentações ocorrem no Espaço Cenáculo, no Flamengo; na Casa Museu Eva Klabin, na Lagoa; na Igreja de Nossa Senhora da Candelária, na Praça Pio X; e na Sala Cecília Meireles, sendo os dois últimos no centro.

De encontro de cellistas a celebração de música de concerto

No início, o Rio Cello era um encontro de violoncelistas idealizado pelo cellista inglês David Chew, radicado no Brasil há mais de 40 anos. Com o tempo, virou uma das maiores celebrações de música de concerto do Brasil, reunindo música, dança, artes visuais e educação.

Desde a criação, David mantém a intenção de popularizar a música clássica e de homenagear o maestro Heitor Villa-Lobos, sua maior inspiração.

"Isso para mim é o grande lance do festival. Democratizar e ser aberto para o público. Qualquer pessoa pode ver e assistir", disse em entrevista à Agência Brasil.

O festival já levou a música de concerto a mais de 500 mil pessoas. "É um caminho muito feliz e realizador", afirmou.

A origem ligada à Candelária

O fundador contou que o festival começou depois da chacina da Candelária, em que crianças e adolescentes em situação de rua foram mortos por policiais no entorno da igreja, no centro do Rio. Naquele momento, integrava a Sinfônica Brasileira e foi chamado para ajudar uma sobrevivente que tinha cinco ou seis anos e estava muito abalada.

David tentou amenizar a situação por meio da música, mas a criança chorava muito e ele saiu do encontro com muita dor de cabeça. A partir daí, teve vontade de ajudar crianças em situação de rua e de comunidades. "Nessa ideia do festival chamei meus amigos para me ajudar", revelou.

Novidades: Cello Kids e 20 anos do Cello Dance

A renovação provocada pelo festival em sua trajetória se traduz, este ano, em novos encontros. Um deles é a estreia do Cello Kids, dedicado às crianças com formação e apresentação especiais. No sábado (15), o auditório do Museu da República receberá, das 11h às 12h, a Escolinha de Música Rio Cello, projeto de formação mantido pelo festival durante o ano. Entre 13h e 16h, haverá a Oficina Cello Kids, no Espaço Educação e nos jardins do museu, com a participação de cellistas mirins. A programação do dia terá ainda a apresentação do Coral das Marés.

Outra novidade é a comemoração dos 20 anos do Cello Dance, projeto que junta o violoncelo e a dança com apresentações inéditas de bailarinos que marcaram a história do festival. Nesse período, o projeto saiu dos teatros e se espalhou pela cidade, onde ocupou estações de metrô, praças, museus e palcos ao ar livre. Nessa, o público é convidado a fazer parte da cena.

Encerramento com primeira bailarina de volta à dança

O encerramento no dia 16, às 11h, vai levar aos jardins do Museu da República o retorno à dança da primeira solista do Theatro Municipal nos anos 90 e primeira bailarina a participar do projeto que antecedeu o Cello Dance, Bettina Dalcanale.

"É um projeto super lindo. Já dancei no Metrô da Pavuna. Inventei de botar uma sola de borracha e colar na sapatilha de ponta porque senão ia de cara no chão. Fiz muita coisa linda com eles, de levar a arte para lugares onde nunca viram", relatou.

Bettina, que mora em Lisboa, Portugal, vem ao Brasil para interpretar O Canto do Cisne Negro, de Heitor Villa-Lobos, ao som do cello do criador do festival David Chew. Ela vê a apresentação como um desafio.

"Eu tenho 64 anos e parei de dançar há 15. Encerrei minha carreira e o último foi um balé no Theatro Municipal. Mudei de rumo, fiz um curso de personal trainer e trabalhei fortalecimento muscular com bailarinos do Royal Ballet", disse em entrevista à Agência Brasil.

Embora não tenha parado de se exercitar, tem 16 anos que não faz uma aula de balé. O fato de se apresentar nos jardins do Museu da República interpretando Villa-Lobos é uma emoção a mais. "Acho que até topei fazer isso, porque a minha neta tem cinco anos e ela adora balé", disse, acrescentando que fez ensaios online e, na coreografia assinada por Mônica Barbosa, vai dançar descalça.

"Acho que uma primeira bailarina topar dançar na grama é incrível. É uma coisa que me emociona", observou David Chew.

A programação de encerramento tem ainda David Chew acompanhado das pianistas Fernanda Canaud e Claudia Tolipan; o grupo Cello Popular, integrado por Lauro Lira, Dave Haughey, David Chew e Mateus Ceccato; com os bailarinos Danilo D'Alma e Will Freitas, o multi-instrumentista DJ Muralhex e a obra Três Filósofos, composta pelo cellista americano Dave Haughey especialmente para o festival, interpretada por ele, Mateus Ceccato e David Chew ao lado dos bailarinos Felipe Padilha, Inês Carijó e Monica Burity.

Violonsalada e números do festival

Na véspera do encerramento, haverá o encontro tradicionalmente conhecido como Violonsalada, às 17h, na Sala Cecília Meireles. Segundo os organizadores, o nome nasceu dentro do próprio festival e traduz seu espírito: um "mix de tudo o que aconteceu na edição, com um ou dois números de cada artista participante, anunciados na hora, no palco".

Dados do festival mostram que, desde a criação, 10 mil artistas participaram das apresentações em mais de 500 locais do Brasil. "Do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao Cristo Redentor, do Palácio Itamaraty às quadras das escolas de samba Mangueira e Beija-Flor, de estações do MetrôRio a comunidades como o Complexo da Maré, Pavão-Pavãozinho e Dona Marta, sempre fiel à sua vocação de levar a música de concerto para onde ela nem sempre chega", informou a organização.

Apesar de todos esses lugares, o fundador do Rio Cello tem uma vontade especial: "Eu prefiro levar as crianças das comunidades para ver apresentações no Theatro Municipal e em locais como o Museu do Amanhã ou na Candelária. É muito importante que elas conheçam esses lugares a que normalmente não têm acesso fácil", afirmou.

Patrocínio e onde acompanhar

Atualmente, o Rio Cello é patrocinado pela prefeitura do Rio e a Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a Lei do ISS. Segundo o fundador, no início era muito difícil conseguir recursos. "Eu fui batendo nas portas dos consulados e embaixadas pedindo que ajudassem o festival. Ainda tenho contato com patronatos que colaboram com o evento, o Itamaraty já ajudou muito", contou.

O projeto também estará presente na Semana de Artes do Rio, de 16 a 20 de setembro. Quem quiser conhecer a programação completa deve acessar o perfil do festival: @riocellooficial.

Perguntas Frequentes

Quando começa o Festival Rio Cello 2026?

O 32º Rio Cello começa neste sábado (8) e segue até domingo (16), com programação gratuita em vários espaços urbanos do Rio de Janeiro.

Onde acontecem as apresentações do Rio Cello?

As apresentações ocorrem no Museu da República, no Catete; no Espaço Cenáculo, no Flamengo; na Casa Museu Eva Klabin, na Lagoa; na Igreja de Nossa Senhora da Candelária e na Sala Cecília Meireles, no centro.

Quem idealizou o Rio Cello?

O festival foi idealizado pelo cellista inglês David Chew, radicado no Brasil há mais de 40 anos, com a intenção de popularizar a música clássica e homenagear o maestro Heitor Villa-Lobos.

O que é o Cello Kids?

É uma estreia deste ano, dedicada às crianças, com formação e apresentação especiais, incluindo a Escolinha de Música Rio Cello e a Oficina Cello Kids no sábado (15), no Museu da República.

Como acompanhar a programação completa?

A programação completa está disponível no perfil oficial do festival no Instagram: @riocellooficial.

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