Família da escultora Conceição dos Bugres apresenta obras no Rio | Exposição inédita
A família de Conceição dos Bugres, escultora mato-grossense reconhecida tardiamente, apresenta uma exposição inédita no Rio de Janeiro. A mostra reúne peças que atravessam décadas de produção e revelam o olhar singular da artista sobre o cotidiano e a cultura popular.
A família de Conceição dos Bugres, escultora mato-grossense que passou décadas à margem do circuito oficial de arte, traz ao Rio de Janeiro uma exposição que funciona como um mergulho na produção de uma das vozes mais singulares da arte popular brasileira.
A mostra, aberta ao público até agosto de 2026, reúne cerca de 40 peças que cobrem desde as primeiras esculturas em madeira até as figuras de barro que a consagraram tardiamente. São obras que a família guardou por décadas e que agora ganham luz num movimento de reconhecimento que a artista, morta em 1984, não viu em vida.
O que a exposição revela sobre Conceição dos Bugres
Conceição dos Bugres nasceu em 1914 em Vila Bela da Santíssima Trindade, Mato Grosso, e começou a esculpir ainda jovem, usando madeira e barro para criar figuras que retratavam o cotidiano do cerrado e a cultura popular. A produção dela foi redescoberta nos anos 2000 por curadores e marchands que viram ali um trabalho de força expressionista raro.
A exposição no Rio mostra justamente essa trajetória: as peças mais antigas, em madeira, têm um acabamento mais bruto, enquanto as de barro, dos anos 1970, já trazem a pátina e a expressividade que se tornaram sua marca.
O papel da família na preservação e difusão da obra
A família de Conceição - netos e bisnetos que vivem em Cuiabá - organizou a mostra em parceria com um espaço cultural carioca. Eles guardaram as obras por décadas, muitas vezes em condições precárias, e agora buscam garantir que o trabalho dela entre para o circuito de arte brasileiro.
Segundo a curadoria, a exposição é também uma tentativa de corrigir o apagamento histórico de artistas populares, especialmente mulheres do interior do país. A mostra inclui documentos, fotografias e depoimentos que contextualizam a vida da escultora.
O que esperar das obras expostas
As peças variam de pequenas figuras de 20 centímetros a esculturas de quase um metro. Os temas são os mesmos que marcaram a obra dela: animais do cerrado, figuras humanas em atividades cotidianas e santos populares. O que impressiona é a economia de recursos - Conceição usava ferramentas simples, facas e as próprias mãos, para criar formas que carregam uma expressividade quase dramática.
A mostra está montada num espaço que permite ver as peças de perto, e a curadoria optou por não usar vitrines fechadas, o que aproxima o público da textura do barro e da madeira.
O reconhecimento tardio e o mercado de arte
Conceição dos Bugres integra um grupo de artistas populares brasileiros que só ganharam projeção nacional depois da morte. O caso dela lembra o de outros nomes, como Mestre Vitalino e Chico Tabibuia, cujas obras hoje são disputadas por colecionadores e museus.
A mostra no Rio pode impulsionar o interesse do mercado: nos últimos anos, peças de Conceição foram vendidas em leilões por valores entre 5 mil e 15 mil reais, dependendo do tamanho e do estado de conservação. A exposição deve atrair tanto colecionadores quanto curadores de instituições como o Museu de Arte do Rio e o Centro Cultural Banco do Brasil arte popular brasileira em alta no mercado.
O que o visitante precisa saber
A exposição fica em cartaz de junho a agosto de 2026, num espaço na região central do Rio, com entrada gratuita às quartas-feiras. A curadoria preparou visitas guiadas aos sábados, com foco em escolas e grupos de terceira idade.
Para quem quer entender o contexto da obra, o catálogo da mostra traz um texto da curadora que reconstitui a vida de Conceição a partir de entrevistas com a família. É um documento que ajuda a preencher as lacunas de uma trajetória que, até agora, era conhecida apenas por círculos restritos de colecionadores.
Perguntas Frequentes
Quem foi Conceição dos Bugres?
Conceição dos Bugres (1914-1984) foi uma escultora mato-grossense que produzia figuras em madeira e barro retratando o cotidiano e a cultura popular. Sua obra foi redescoberta tardiamente, nos anos 2000.
Onde fica a exposição da família no Rio?
A mostra está em cartaz num espaço cultural na região central do Rio de Janeiro, com entrada gratuita às quartas-feiras e visitas guiadas aos sábados.
Quantas peças estão expostas?
Cerca de 40 peças, cobrindo desde as primeiras esculturas em madeira até as figuras de barro dos anos 1970.
A exposição é inédita?
Sim, é a primeira vez que a família organiza uma mostra com esse conjunto de obras fora de Mato Grosso.
Como a obra de Conceição é vista pelo mercado de arte?
Peças dela têm sido vendidas em leilões por valores entre 5 mil e 15 mil reais, e a exposição deve aumentar o interesse de colecionadores e instituições.