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Exposição em SP reúne fotos de movimentos feministas do Brasil

ResumoA exposição Alice Oliveira, no Museu da Diversidade Sexual em São Paulo, inaugura em 19 de março com 30 fotografias dos movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ do Brasil e da América Latina durante as décadas de 1980 e 1990. A mostra resgata a história dessas lutas sociais por meio de registros visuais.

O Museu da Diversidade Sexual inaugura nesta quarta-feira (19) a exposição Alice Oliveira, com 30 fotografias que resgatam a história dos movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ dos anos 1980 e 1990 no Brasil e na América Latina.

Hélio Bastos Caetano
Hélio Bastos Caetano Colunista de Cinema Cult e Clássicos · 20 de agosto de 2026
Exposição em SP reúne fotos de movimentos feministas do Brasil
8.4/10
VereditoO Museu da Diversidade Sexual inaugura nesta quarta-feira (19) a exposição Alice Oliveira, com 30 fotografias que resgatam a história dos movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ dos anos 1980 e 1990 no Brasil e na América Latina.

O Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo, inaugura nesta quarta-feira (19), Dia do Orgulho Lésbico, a exposição Alice Oliveira, que reconhece o trabalho de mais de quatro décadas da ativista e fotógrafa. Os registros resgatam a história dos movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ dos anos 1980 e 1990, no Brasil e na América Latina.

A mostra reúne 30 fotografias que ajudam a reconstruir a história desses movimentos a partir de encontros, manifestações, articulações políticas e redes de solidariedade. Também estão incluídos negativos, documentos e registros audiovisuais. Este material de Alice Oliveira foi esquecido por muitos anos: inicialmente, a ativista não se enxergava como fotógrafa, e o processo de digitalização e catalogação ocorreu apenas recentemente.

Quando se trata da história de grupos dissidentes, que não se enquadram no padrão cis-heteronormativo, existem muitos lapsos de memória, justamente pela ausência de registros, como aponta o curador da exposição e pesquisador do acervo, Pedro Vieira. "Os registros, tanto de documentação, como fotográficos, são fundamentais para que a gente possa reconstruir nossa história", explicou.

Através do acervo, é possível visualizar como o movimento LGBT+ evoluiu com o tempo. Algumas fotos ilustram a 17ª Conferência da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), que aconteceu pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro, em 1995. No final do encontro, em junho daquele ano, os participantes partiram para a Orla de Copacabana e realizaram um enorme ato, o maior que havia acontecido no país até então. Muitos historiadores consideram aquela manifestação como a primeira parada do orgulho do Brasil.

O acervo também reúne momentos da luta feminista. No final dos anos 1980, Alice ajudou a organizar o 3º Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho em Bertioga, que foi o primeiro grande contato do movimento brasileiro com o restante do continente. A ativista também participou de dois encontros em El Salvador: "esses encontros proporcionaram um momento de fortalecimento a mulheres que não têm essa realidade no dia a dia, reunindo desde indígenas e quilombolas até intelectuais e parlamentares".

Hoje, aos 70 anos, Alice direciona sua militância para a defesa de idosos LGBT+ em conselhos e espaços de políticas públicas. Ela defende que o movimento atual precisa de união, maturidade e clareza, deixando de lado disputas por poder. Para ilustrar, cita uma metáfora que aprendeu com a Cacique Pequena, primeira mulher cacique do Brasil, do povo Jenipapo-Kanindé: um graveto sozinho se quebra facilmente, mas quatro ou cinco gravetos juntos não se quebram.

Serviço: Exposição Acervo Alice Oliveira, abertura em 19 de agosto de 2026, encerramento em fevereiro de 2027, no Museu da Diversidade Sexual, das 10h às 18h (terça a domingo), com ingressos gratuitos pelo Sympla.

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