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Calila das Mercês lança Nódoa e celebra literatura do interior

ResumoCalila das Mercês lança Nódoa, primeiro romance, e celebra a literatura produzida no interior do Brasil. A escritora assina a curadoria do Fliparacatu 2026 ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges. A obra marca a estreia ficcional da autora, consolidando a produção literária fora dos grandes centros urbanos.

Calila das Mercês lança Nódoa, primeiro romance, e celebra a literatura feita no interior. Ela assina a curadoria do Fliparacatu 2026 ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges.

Marcelo Tenório
Marcelo Tenório Repórter de Animação e Cinema de Gênero · 31 de agosto de 2026
Calila das Mercês lança Nódoa e celebra literatura do interior
7.4/10
VereditoCalila das Mercês lança Nódoa, primeiro romance, e celebra a literatura feita no interior. Ela assina a curadoria do Fliparacatu 2026 ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges.

A pesquisadora, jornalista e escritora Calila das Mercês lançou Nódoa, seu primeiro romance, pela Companhia das Letras, e celebra a literatura feita no interior do Brasil. Ela é uma das curadoras da quarta edição do Festival Literário de Paracatu (Fliparacatu), cidade mineira a 500 quilômetros de Belo Horizonte.

"Minhas primeiras escolas são os quintais: o sertão e o recôncavo baiano, duas geografias interioranas que compõem essa minha primeira relação com a literatura", conta Calila. Neste ano, o tema Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo propõe uma conversa entre Milton Santos, cujo centenário foi comemorado em maio, e João Guimarães Rosa, que apresentava Grande Sertão: Veredas há 70 anos. Calila, que divide com Milton o lugar, o território e o interior da Bahia, chama Grande Sertão de "fabuloso" e se diz "muito emocionada" com Campo Geral, de 1956.

"A gente está homenageando também meu conterrâneo, que é o Milton Santos", afirma. Ela celebra encontros literários pelo interior, como os que já assinou em Cachoeira (BA) e Cavalcante (GO), mas alerta para o risco de festas com "donos" e para a necessidade de um olhar respeitoso sobre o que é produzido em cada lugar. "O grande desafio é a gente produzir uma ideia de que o pensamento não chega de fora", diz. Entre os nomes que passam por Paracatu estão Mia Couto, Alê Santos, Bruna Lombardi, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Paulliny Tort e Renato Nogueira.

Nódoa, escrito em movimento, nasceu em ônibus, rodoviárias e mudanças de casa. Calila foi quatro vezes ao rio São Francisco e visitou o maior cajueiro do mundo para se conectar com natureza e urbanidade. Narrado por Regina e Lurdes Maria, o livro usa maiúsculas e minúsculas para traduzir personagens: a que não sabe ler nem escrever, a que fala baixinho, a artista plástica. "Uso muito silêncio nas páginas", explica. A escrita forma desenhos e entrega ao leitor outras formas de ver a obra. "As nódoas mancham, e deixam marcas que ficam e que são importantes."

O 4º Fliparacatu acontece de 26 a 30 de agosto de 2026, no Centro Histórico de Paracatu, com entrada gratuita.

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