Crítica · Análises e Críticas

Cais do Valongo, no Rio, terá museu em prédio histórico do Império

ResumoO Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, receberá um museu no Edifício Docas André Rebouças, prédio histórico do Império. A entrega do imóvel foi marcada por cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi. A obra, orçada em R$ 77 milhões, terá duração prevista de três anos para transformar o espaço em equipamento cultural dedicado à memória da diáspora africana.

Um cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi marcou a entrega do Edifício Docas André Rebouças, que virará museu do Cais do Valongo. Obra de R$ 77 milhões deve durar três anos.

Bárbara Ishikawa
Bárbara Ishikawa Entrevistadora e Repórter de Bastidores de Cinema · 25 de agosto de 2026
Cais do Valongo, no Rio, terá museu em prédio histórico do Império
8.2/10
VereditoUm cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi marcou a entrega do Edifício Docas André Rebouças, que virará museu do Cais do Valongo. Obra de R$ 77 milhões deve durar três anos.

Um cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi abriu, nesta terça-feira (18), a cerimônia que entregou o Edifício Docas André Rebouças para se tornar museu do Cais do Valongo, berço da presença africana no Brasil. O galpão histórico fica em frente ao sítio arqueológico, na região portuária do Rio, separado por apenas uma rua.

O Cais do Valongo foi construído em 1811 e reúne vestígios da chegada de cerca de 1 milhão de africanos escravizados às Américas. Descoberto em 2011, durante obras de revitalização, hoje é um espaço de visitação a céu aberto, com placas informativas e exposição ao sol e à chuva.

O novo centro será uma forma de acolhimento, segundo o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão: "É importante que essa narrativa sobre o sítio arqueológico e a importância dele para o Brasil e para o mundo seja contada também dentro desse prédio".

A transformação em Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo está orçada em R$ 77 milhões, com recursos da União. As obras devem durar três anos. No endereço também funcionarão o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana e o Memorial André Rebouças, engenheiro que dá nome ao prédio, primeiro engenheiro negro do país e abolicionista. A construção de 1871 não usou mão de obra escravizada.

O acervo terá mais de 1 milhão de peças, conforme o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues. Alguns itens, como anéis, cachimbos e iscas de pesca, já foram identificados e estavam em outros museus. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, vê o centro como reparação: "O Brasil só será um país com democracia cidadã quando essa justiça for feita".

O comitê gestor do Cais do Valongo reúne governo e sociedade civil. Nilson Moreira, da Casa da Tia Ciata, defende que o espaço dará "um resumo já na frente da escavação". A Pequena África, onde fica o sítio, concentra pontos como o Quilombo da Pedra do Sal e o Cemitério dos Pretos Novos. Ao lado, a prefeitura constrói o Centro Cultural Rio-Áfricas.

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