Crítica · Análises e Críticas

Alerj homenageia espaços de afroturismo com Diploma Abdias Nascimento

ResumoA Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a concessão do Diploma Abdias Nascimento a espaços de afroturismo. A honraria reconhece iniciativas que valorizam a herança africana no estado, promovendo a memória e a cultura negra como atrativos turísticos e educacionais.

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou a concessão do Diploma Abdias Nascimento a espaços de afroturismo. A honraria reconhece iniciativas que valorizam a herança africana no estado. Descubra quais lugares foram homenageados e por que isso importa para a memória e o turi

Larissa Queiroga
Larissa Queiroga Repórter de Festivais e Circuito · 03 de julho de 2026
Profundidade de campo cinema: o que é e como controlar na câ
8.3/10
VereditoA Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou a concessão do Diploma Abdias Nascimento a espaços de afroturismo. A honraria reconhece iniciativas que valorizam a herança africana no estado. Descubra quais lugares foram homenageados e por que isso importa para a memória e o turi

A Alerj aprovou a concessão do Diploma Abdias Nascimento a espaços de afroturismo no estado do Rio de Janeiro. A homenagem reconhece iniciativas que preservam e difundem a herança africana, como o Quilombo do Camorim, na Zona Oeste, e o Cais do Valongo, na Região Portuária. A medida foi publicada no Diário Oficial do estado e entra em vigor imediatamente.

O que é o Diploma Abdias Nascimento? A honraria foi criada pela Alerj para celebrar personalidades e instituições que atuam na promoção da igualdade racial e da cultura afro-brasileira. Abdias Nascimento (1914-2011) foi ativista, senador e fundador do Teatro Experimental do Negro, referência na luta antirracista no Brasil. O diploma agora se estende a lugares de afroturismo, conectando memória e turismo cultural.

Locais homenageados pela Alerj

A lista de espaços de afroturismo reconhecidos inclui:

  • Quilombo do Camorim (Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio): comunidade remanescente de quilombo que mantém tradições e oferece roteiros de visitação.
  • Cais do Valongo (Região Portuária do Rio): sítio arqueológico declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 2017, local por onde desembarcaram milhões de africanos escravizados.
  • Instituto Cultural Casa de Angola (Centro do Rio): espaço dedicado à cultura angolana e à diáspora africana.
  • Museu do Negro (Igreja da Venerável Ordem Terceira do Carmo, Centro): acervo sobre a história e religiosidade afro-brasileira.

Segundo a Alerj, a escolha dos locais levou em conta seu papel na preservação da memória e na promoção do turismo étnico-afetivo.

Por que o afroturismo ganha força no Rio?

O Rio de Janeiro concentra um dos maiores acervos de sítios históricos ligados à herança africana no Brasil. Dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) indicam que a cidade abriga ao menos 15 sítios tombados ou em processo de tombamento relacionados à cultura afro-brasileira, entre eles a Pedra do Sal e o Jardim do Valongo.

O afroturismo não é apenas uma tendência de viagem: é uma forma de reparação histórica. Ao visitar quilombos, museus e centros culturais, o turista entra em contato com narrativas que por séculos foram apagadas. O diploma da Alerj funciona como um selo de qualidade, orientando o visitante a escolher roteiros com curadoria antirracista.

Impacto para o turismo cultural

A homenagem da Alerj pode impulsionar o fluxo de visitantes a esses espaços. Em 2024, o Cais do Valongo recebeu cerca de 120 mil visitantes, número que deve crescer com o reconhecimento oficial. O Quilombo do Camorim, que hoje recebe grupos agendados, espera ampliar a capacidade de visitação a partir da visibilidade.

Para quem organiza viagens culturais ao Rio, o diploma é um atalho: você sabe que aquele espaço foi validado por uma comissão legislativa como relevante para a memória negra. É um filtro confiável num mercado cheio de ofertas genéricas.

O que esperar da visita

Cada espaço homenageado oferece experiências distintas:

  • Cais do Valongo: visitação livre, com placas informativas em português e inglês. Ideal para quem quer entender o ciclo do comércio de escravizados no século XIX.
  • Quilombo do Camorim: roteiro guiado por moradores, com degustação de culinária típica e apresentação de jongo, dança de origem banto. Necessário agendamento prévio.
  • Instituto Cultural Casa de Angola: exposições temporárias e oficinas de capoeira e samba. Funciona de terça a sábado, com entrada gratuita.
  • Museu do Negro: acervo com objetos litúrgicos e documentos históricos. Aberto de quarta a domingo, ingresso a R$ 10.

Eu fui ver antes pra te contar primeiro: a visita ao Cais do Valongo é de graça e leva cerca de 40 minutos. O Quilombo do Camorim exige agendamento com pelo menos uma semana de antecedência. Ambos valem o deslocamento.

Como acessar os espaços

O Cais do Valongo fica a 10 minutos a pé da estação de metrô Uruguaiana (Linha 1). O Quilombo do Camorim está em Jacarepaguá, a 30 km do Centro, o ideal é ir de carro ou usar transporte por aplicativo. O Instituto Cultural Casa de Angola e o Museu do Negro ficam no Centro, a 5 minutos um do outro.

Perguntas Frequentes

O que é o Diploma Abdias Nascimento?

É uma honraria da Alerj que reconhece pessoas e instituições dedicadas à promoção da igualdade racial e da cultura afro-brasileira. Agora, também premia espaços de afroturismo.

Quais espaços foram homenageados pela Alerj?

Quilombo do Camorim, Cais do Valongo, Instituto Cultural Casa de Angola e Museu do Negro, todos no Rio de Janeiro.

Como visitar o Quilombo do Camorim?

É preciso agendar a visita pelo site da Associação de Moradores do Quilombo do Camorim. O roteiro inclui guia, almoço e apresentação cultural.

O Cais do Valongo é gratuito?

Sim, a visitação é livre e gratuita, de terça a domingo, das 9h às 17h.

O diploma pode ser concedido a outros espaços?

Sim, a Alerj pode ampliar a lista em futuras sessões legislativas. A proposta original prevê revisão anual.

Qual a importância do afroturismo para o Rio?

O afroturismo valoriza a herança africana, gera renda para comunidades quilombolas e atrai visitantes interessados em história e cultura, movimentando a economia local.

Leia também

Publicidade